
Se não fosse para o meu "anjo" (um trabalhador de emergência médica no helicóptero que tem a vida de uma criança da minha idade nas suas mãos) eu não estaria aqui hoje contando minha história. Eu expirei um "ultimo" suspiro no helicóptero, porque eu tinha sangrado muito depois de ter sido atingida na minha artéria femoral durante o acidente. O homem que cuidou de mim estava prestes a parar, mas a mãe que estava emocionalmente, pediu-lhe para não desistir. Ela arriscou seu emprego para me salvar, e com toda a minha gratidão, ela conseguiu.
Eles levaram-me para a Universidade de Alabama em Birmingham, um hospital especializado em traumas e queimaduras. Eles levaram-me imediatamente para a sala de cirurgia, e eu acordei durante a operação, porque tinha suspirado mais uma vez. Eles não podiam me dar mais anestesia porque havia 99% de chance que eu não voltasse a acordar mais.
Eu estava acordada e alertada para uma cirurgia completa. Não podia me mexer ou piscar os olhos, falar muito menos. Tentei gritar, mas deram-me remédios que me paralisaram. Eu ouvi-os dizer "Nós vamos ter que tirar a perna. OK, nós vamos amputá-la." Imaginem o quanto eu estava com medo, um medo monstruoso n'aquele momento: eles iriam amputar a minha perna e eu estava acordada! AH NÃO! Eu implorei para que não tirassem a minha perna, mas era inútil, porque eles não podiam me ouvir. Era como se eu tivesse tido uma experiência de uma amputação no meu próprio corpo.
Eu podia ouvir eles dizerem que não havia maneira possível de eu voltar a andar, ou de ter uma vida normal com ou sem uma perna. Meus pais estavam esperando lá fora e em pânico porque não sabia se sairia viva da cirurgia. Os médicos disseram-lhe que estavam a fazer do melhor que podiam, mas não seria fácil. Os meus pais tinham feito duas horas de estrada após terem recebido um telefonema do meu acidente. Não lhes disseram a importância dos meus ferimentos e agora deviam de enfrentar o fato de nunca mais ver a sua filha.
Eu me lembro de acordar alguns dias após da cirurgia, e eu estava sozinha no quarto com paredes brancas. Eu não conseguia falar, nem mover os meus dedos. Eu tinha tubos de respiração, e abriram ligeiramente as minhas costelas e inseriram dois tubos. Eu tinha uma bomba que iria me dar o sangue no meu corpo. Eu tinha mais de 6.000 pontos em uma perna e uma vara na outra perna, que vai do meu quadril até ao meu pescoço. Eu tinha múltiplas transfusões de sangue que exigia 20 unidades de sangue.
Meu cirurgião foi incrível e foi capaz de curar os meus nervos, meus músculos, minhas pernas e anexá-las. Nenhum dos nervos da minha perna esquerda estavam completamente reparados. Agora quando eu ando muito, minhas pernas incham muito e começo a ter coágulos de sangue com facilidade, como os meus pulmões, meu estômago e meu fígado estavam desmoronado.
Dias passaram, que parecia meses. Eu estava com medo. Medo da dor. Medo de como o futuro da minha vida será. Eu quase não via os meus pais quando ia para a Unidade de Terapia Intensiva. Quando as pessoas entravam no meu quarto, eu fechava os olhos. Eles pensavam que eu estava a dormir, mas eu estava realmente a ouvir todas as más notícias que diziam. Só me lembro de algumas pessoas me vendo na cama de hospital, enquanto uma centena de pessoas estavam a chegar. Minha melhor amiga queria ficar ao meu lado, e o fato de vê-la em lágrimas doía o meu coração, porque eu nunca a tinha visto chorar antes. O amigo de meu pai, que parou o barco e mergulhou na água, também me visitou. Eu não conseguia falar, mas eu disse a ele esforçando-me "Hero" por ter salvado a minha vida.
Foi super difícil não conseguir falar. Eu tinha um tubo na garganta para conseguir respirar. Eu não podia falar com todos. A pessoa que me visitou e que me lembro mais, foi alguém realmente de especial para mim. Alguém com quem eu estava com ódio, alguém que eu magoei, alguém que me magoou. As nossas últimas palavras trocadas foram terríveis, e vendo a cara dele de novo me fez perceber algo - qualquer pessoa pode ir embora a qualquer segundo.
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