segunda-feira, 15 de novembro de 2010

História do Acidente da Caitlin - Parte IV


Comecei a escrever palavras porque eu não podia falar. A dor que eu sentia era cada vez pior. As semanas foram passando e eles me fizeram passar por diferentes níveis. As pessoas podiam visitar-me a qualquer momento, mas eu ainda não podia me mover então eu passava os meus dias na cama. Eu chorava quase todos os dias, porque eu queria era sair daqui. Eu queria algo para a dor. Eu estava cansada de ser a sua pequena protegida ferida. Cada noite, eles iam ver o meu sangue, e a cada 3 dias eu tinha que fazer DSM-IV, sem ser anestesiada. Eu começava a ficar cansada de ficar todo o dia na cama. Eu estava enlouquecendo, mas a cada dia eu comecei a recuperar mais e mais, e a ficar eu mesmo. Algumas meninas do lago vieram me ver, então eu decidi fazer-lhes uma pequena brincadeira, porque eu era incontrolável.

Eu estava na cama, incapaz de me mover, e você mal conseguia ouvir minha voz. Todos estavam ali olhando para mim com lágrimas nos olhos. Eu odiava vê-los tristes. Minha mãe me perguntou: "-Caitlin, você sabe quem são estas pessoas? -Sim -Você conhece seus nomes?" e eu gaguejava "Maarrgaret, Nancy, Katie." Aqueles não eram os nomes das minhas amigas, toda a gente olhou para minha mãe e estavam prestes a chorar quando eu disse: "Eu estou só brincando!" Eu só queria vê-los sorrir.

Os dias foram passando, eu tinha muitas consultas, recebi um mix de boas e más notícias. Ia ser autorizada a ir para a sala de reabilitação. Eu tinha um calendário muito preenchido e cada dia eu tentava fazer do meu melhor. Eu tive que reaprender a mover as minhas pernas e a saber como se andava de novo. Eles levantavam-me às 7h da manhã para uma aula de musculação. Pedi para ter 2,5 kg de peso, mas eles disseram-me "Minha querida, isto é demais para ti. Vamos tentar com 0,5 kg" Eu pensei que era uma piada.

Eu estava recebendo injecções na barriga duas vezes por dia. Era pior de que sangue injectado. Eu perguntei ao médico quando isto iria acabar, e ele disse-me "quando você começar a andar." Eu estava determinada a parar com as injecções, por isso a cada dia eu ia dando alguns passos com o "andador", eu estava a melhorar lentamente. As semanas foram passando e eu começava a dar passos cada vez mais.

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